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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Tribulações

A vida anda atribulada. Tanto em termos de compromissos a ticar na agenda quanto em aflições. É um frio na barriga eterno, uma correria constante contra o relógio. Sempre tive uma grande tendência a maldizer os contratempos e fazer malabarismos para driblar os tormentos. Acostumei-me a sentir uma extrema tristeza que se aninhava como um gato em meu pâncreas em períodos assim. Mas não dessa vez. Tento respirar fundo o dia inteiro. Conto até dez. Ás vezes eu explodo entre o dois e o três, mas em geral funciona. Aproveito o tempo perdido em engarrafamentos e em belos dias de tempestade como o de hoje para ler livros teóricos (não, nada de poesia para mim ultimamente. Não me faria bem.), estudar matemática (sim, matemática. A certeza e a simplicidade dos números nunca me fascinou tanto.) e gramática (a mais lógica de todas as artes das letras). Eu já sabia que na maior parte dos casos, não pensar é uma dádiva, mas nunca consegui seguir essa meta. Porém, quando nos tornamos adultos, talvez essa se torne uma tarefa mais grata. São tantos os afazeres, tantos os planos para o futuro próximo -- e para aquele que praticamente cai na esfera dos nossos sonhos -- que se torna mais fácil nos tornarmos autômatos. Acordar, tomar um suco. Ligar o computador. Trabalhar. Responder e-mails. Olhar o Facebook. Almoçar. Ir ao banco. Comprar roupas. Tomar um café. Responder mais e-mails. Escrever um texto. Tomar banho. Assistir a um filme. Dormir. O meu pequeno e insignificante circuito fechado que tem me salvo a vida. E posso até mesmo dizer que, ao contrário do que sempre acreditei, consegui encontrar felicidade na disciplina, dois termos que até bem pouco tempo eram antônimos no meu vocabulário. Será essa a vida adulta? Provavelmente não. Espero que não. Entretanto, enquanto eu não aprender qual é o meu ponto de equilíbrio nessa vida, ou algo que seja próximo a isso, assim terá de ser.


quinta-feira, 20 de maio de 2010


Já caí de escadas. Já vomitei em banheiros sujos. Já acordei ao lado de pessoas cujos nomes não me lembrava. Já arrumei brigas pelo simples prazer de levar e dar uns socos. Já me arrependi. Já chorei de ódio. Já xinguei para a vizinhança inteira ouvir. Já perdi a noção e a razão. Já me gabei de meu egoísmo. Já traí um amigo. Eu já menti.

E eu amo loucamente todos os dias.

Quem nunca fez nada disso, por favor, não me telefone, não me mande e-mails nem me cumprimente na rua. Sou conhecida por minha fobia a extraterrestres.